Aluna de 13 anos agride professora em Sertãozinho escola Edith Silveira Dalmaso

Professora acusa aluna de agressão e ameaça após discussão por uso de fone de ouvido durante a aula. Docente ajuizou ação para pedir internação de adolescente em Sertãozinho. Estudante será ouvida pelo Juizado da Infância e Juventude nesta quinta-feira (17).

 Aluna de 13 anos agride professora em Sertãozinho escola Edith Silveira Dalmaso


Juizado da Infância e Juventude de Sertãozinho (SP) ouve nesta quinta-feira (16) uma adolescente suspeita de agredir e ameaçar uma professora depois de se negar a tirar os fones de ouvido durante uma aula.

O caso aconteceu no ano passado na Escola Estadual "Professora Edith da Silveira Dalmaso", mas só recentemente foi parar na Justiça após uma representação do Ministério Público. A estudante foi transferida e a professora foi afastada por dois meses para tratamento psiquiátrico.

Ela pede a internação da jovem em uma unidade socioeducativa e ainda teme alguma atitude violenta da estudante após o ocorrido.



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"Sofri ameaças, já vi a garota na esquina da minha casa, já quis mudar de casa, quis vender a casa, já quis sair do lugar de onde moro justamente por receio e medo das ameaças", afirma a professora, que prefere não ser identificada.
Professora diz enfrentar transtornos psicológicos após ser agredida por estudante em Sertãozinho, SP



Professora diz enfrentar transtornos psicológicos após ser agredida por estudante em Sertãozinho, SP (Foto: Reprodução/EPTV)
A Diretoria Regional de Ensino de Sertãozinho informou ter prestado apoio à professora e que tomou todas as medidas pedagógicas.


A mãe da estudante, que prefere não ser identificada, desaprova a atitude da filha, mas alega que ela também foi motivada por uma postura inadequada da docente. "Não justifica de forma alguma, haja vista que, se ela tiver que ser punida por essa atitude ela vai. Eu só queria que os dois lados da história fossem esclarecidos", disse.


De acordo com o juiz da infância Hélio Ravagnani, a estudante será ouvida nesta quinta-feira durante uma audiência de apresentação, rito utilizado para apuração de atos infracionais previsto no ECA.

"O menor é ouvido primeiro, depois se ouvem as testemunhas ou a vítima e ao final uma sentença que pode imputar ou aplicar ao adolescente uma medida socioeducativa", explica.

Agressão na escola
Em outubro de 2017, a professora relata que havia entrado na sala do sexto ano da escola estadual quando viu a aluna cantando e ouvindo música com fones de ouvido e pediu para que ela parasse para não atrapalhar a aula.

Segundo ela, a estudante respondeu com agressividade, em tom desafiador, e a professora a orientou a deixar a sala.

"Ela me insultou, falou 'se você for mulher vem tirar'. [Falei] 'não, eu não vou tirar os seus fones de ouvido, mas você não vai assistir mais a minha aula", conta.

A professora afirma que caminhava em direção à porta para chamar a inspetora quando foi surpreendida pela aluna com agressões.

"Ela me pegou por trás, pelos cabelos, me jogou pelo chão com chutes e socos. Ela me pegou desprevenida, mesmo no chão ela continuou me batendo. Quando me levantei pra tentar me desvencilhar ela continuou me insultando", diz.
As agressões só cessaram com a chegada de funcionários da escola, segundo ela. "Quando me levantei ela novamente me pegou pelas costas e puxando meu cabelo desferiu golpes nas costas, com soco e chutes, até que veio a inspetora e o coordenador que estava no final do corredor e conseguiu separar a gente."

Escola Estadual "Professora Edith da Silveira Dalmaso", em Sertãozinho (SP)



O advogado de defesa da professora, Luiz Gustavo Penna, acrescenta que após as agressões a estudante partiu para ameaças.

"Na hora que já estava na diretoria ela deixou claro pra professora que ela poderia ser transferida, sofrer alguma penalização, mas que iria finalizar e que ela, a professora, não estaria, não poderia contar a história, ou seja, ameaçou a professora de que poderia cometer um homicídio", sustenta o advogado.

A aluna foi transferida para outra escola e a professora foi afastada por dois meses. Ela conta que, desde então, voltou a trabalhar, mas tem feito tratamento psiquiátrico e toma medicamentos para conseguir dormir em função de tudo que passou.

"Nunca imaginei passar por isso, já ouvi falar sobre agressão com professores, mas nunca vi, nunca presenciei e muito menos imaginei passar por isso."

Penna defende a internação em um centro socioeducativo como a medida mais adequada para o caso. "Tendo a perspectiva de algo acontecer, tendo em vista também a agressividade dela e o ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente] é taxativo nesse sentido, quando há violência e grave ameaça à pessoa. Por isso peço a internação", diz.

'Ela se sentiu injustiçada'
A mãe da adolescente afirma não concordar com o comportamento da filha, mas relata que a professora agiu de maneira inadequada em sala antes do ocorrido.

"No dia anterior houve uma discussão com a professora e a professora enfiou uma embalagem com salgadinho nas costas dela e arranhou e a escola não entrou em contato, não tomou nenhuma providência", diz.



Antes de ser agredida, ela afirma que a professora também teria ofendido a aluna, embora negue que isso justificasse a violência.

"Desde já não aprovo isso, não estou aqui de forma alguma pra defender essa atitude dela, infelizmente aconteceu, acho que a escola deveria ter mais segurança, para os dois lados, mas ela se sentiu injustiçada, e teve essa atitude errada."

SERTÃOZINHO
EDITH SILVEIRA DALMASO
ALUNA AGRIDE PROFESSORA