Moradora de Sertãozinho trabalha como “filha de aluguel”

Adriana viu as oportunidades diminuírem no mercado de trabalho e optou por ajudar quem precisa de atenção e companhia

 Moradora de Sertãozinho trabalha como “filha de aluguel”

Vislumbrando poucas opções no mercado de trabalho, a jornalista Adriana Fagundes, de Sertãozinho, região de Ribeirão Preto, decidiu “criar” a própria profissão. Ela atua como “filha de aluguel”, ou seja, ela se coloca disponível para pessoas da terceira idade que precisam de companhia para irem ao médico ou nos afazeres do dia a dia, por exemplo.

Adriana conta que viu a chance de poder se manter no mercado de trabalho, pois percebeu que as oportunidades começaram a ficar escassas para pessoas como ela, que já passou dos 50 anos de idade. “Os acompanho ao médico, vejo o diagnóstico da consulta e passo para a família, ou faço companhia na leitura de um livro ou até uma viagem. Meu lema é o seguinte: ‘tenho tempo, e você precisa de um profissional. Então, posso te ajudar’”, explica.



Ela aponta que a diferença deste trabalho, para a de um cuidador de idosos, é que esse não tem a exclusividade para uma pessoa, além de cobrar por hora. Adriana conta que teve de se dedicar muito ao pai quando ele apresentou problemas de saúde e notou que outros indivíduos poderiam passar pela mesma situação.

A “filha de aluguel” pesquisou na internet e descobriu que em outros cantos do país já existem pessoas que atuam nesta profissão, como uma psicóloga de São Paulo, que apresentou o mercado que ainda está nascendo, mas que cresce, em razão do aumento da população idosa do Brasil.

“Estou percebendo que as pessoas estão vendo isso como uma saída para elas criarem um novo ambiente de trabalho. A ideia está virando. Eu vejo que é um mercado que existe, mas que ainda é uma inovação. Eu estou jogando a ideia e a aceitação está sendo muito boa”, completa Adriana.

Vantagem competitiva

O consultor e professor universitário Murilo Carneiro, blogueiro do Portal Revide, gostou da iniciativa. Ele acredita que a proposta traz uma nova abordagem para a profissão de cuidador, por exemplo, e que isso apresenta vantagens competitivas em relação a outras iniciativas.

“No passado, quando trabalhei com o Sebrae, se alguém apresentava alguma ideia de empreendedorismo, nós perguntávamos o seguinte: ‘qual a sua vantagem competitiva?’, isso significa o que eu vou ter de vantagem em relação aos meus concorrentes. Às vezes, a resposta está no marketing do negócio”, explica o consultor.

Para ele, o empreendedorismo pode surgir a partir de uma boa ideia de marketing sobre uma prática já existente, como é o caso de Adriana, que além de trazer uma roupagem mais “afetiva”, apresenta uma característica nova. “Acho muito legal a ideia dela, não por ser algo novo, mas por ser uma forma diferente de abordar algo que já existe”, declara Carneiro, que alerta que é preciso analisar o mercado antes de por qualquer proposta em prática.

O consultor acredita que essa pode ser a saída para quem precisa de emprego nessa fase em que o país passa por incertezas, apesar de ter apresentado melhora nos indicadores econômicos. “A perspectiva de emprego formal é pequena. Então, você fica desempregado e precisa se virar de algum jeito. Mas não adianta só ter uma ideia boa. Você tem que visualizar qual é a inovação desse negócio”, completa.

Foto: Pixabay e arquivo pessoal

Moradora de Sertãozinho trabalha como “filha de aluguel”

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